O caso Denis e Katya – Um misto contemporâneo de Bonnie e Clyde com Romeu e Julieta

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Denis Muravyov, nascido no dia 14 de agosto de 2001, e Katerina Vlasova, nascida no dia 09 de outubro do mesmo ano, começaram a se relacionar enquanto estudantes do mesmo colégio na cidade de Pskov, cidade localizada no noroeste da Rússia.

A relação começou em abril de 2016. Em pouco tempo, o casal, que nunca escondeu o relacionamento dos amigos ou da família, já falava em casamento e futuros filhos. Eles gradativamente começaram a passar mais tempos juntos, ao ponto de fugir de casa para ficarem sozinhos.

A fuga ocorreu no verão daquele ano. Embora logo tenham sido encontrados, a mãe de Denis o proibiu de falar com a namorada, afirmando que ela estava o iludindo. Na verdade, tanto os pais dele como o de Katya, como era mais conhecida, eram contra o namoro.

No entanto, o casal continuou junto. Além disso, teriam ameaçado os pais de que tomariam algum tipo de “decisão” caso voltassem a interferir na relação. Assim, continuaram juntos até o início de novembro de 2016, quando Katya decidiu terminar o relacionamento.

Após o término, Denis fez uma postagem em seu VKontakte, rede social russa, na qual lamentou o fim do namoro, mas afirmou que “foram os 7 meses mais inesquecíveis” e que só ela fez o sentir daquela forma. “Apesar de tudo, eu te amei, ainda te amo e sempre vou te amar”, concluiu.

O post teria comovido Katya, pois, no mesmo dia ou no dia seguinte, eles reataram o namoro. No dia 10 de novembro, ela foi a uma festa na casa de uma amiga, embora estivesse proibida de deixar a casa à noite. Sua mãe a encontrou e a levou de volta para casa.

Katya foi punida com uma surra que deixou hematomas em seu pescoço. Denis e sua mãe presenciaram o espancamento. No dia seguinte, o casal furtou cartões de crédito de seus pais, sacaram dinheiro e pegaram um ônibus para Strugi Krasnye, um vilarejo a 80km de onde moravam.

Lá, eles se assentaram num sítio da família da jovem, no qual entraram após abrirem uma janela com uma faca. Dentro da casa, conseguiram arrombar um cofre que continha duas espingardas, uma pistola de ar comprimido e caixas de munição.

Os dois levaram doces, refrigerantes, um par de walkie-talkies, preservativos, bebidas alcóolicas e cartelas de cigarro para o local. Após passarem o fim de semana no local, no dia 14 de novembro, uma segunda, a mãe e avó de Katya foram até o sítio para “buscar” a jovem.

O casal atendeu a porta. De início, Denis solicitou que deixassem o local. Contudo, após perceber que Katya segurava uma faca, sua avó investiu contra a neta para tentar desarmá-la. O embate acabou causando cortes na mão da jovem e Denis decidiu retaliar com sua pistola.

Ele atirou no quadril da mãe da namorada com a arma de ar comprimido. Então, as parentes de Katya saíram dali para buscar auxílio policial. O casal, prevendo a reação, improvisou barricadas na casa e se trancaram no local. A polícia estacionou uma van na frente da residência.

As autoridades tentaram engajar o casal numa negociação para que se rendessem, mas a resposta não foi com palavras: Denis pegou uma das espingardas e atirou contra o veículo policial pela janela. Um policial foi atingido, mas os ferimentos não foram graves.

Enquanto isso ocorria, Katya transmitia as imagens por meio de uma live no aplicativo Periscope. Denis comentou que achava ter atingido um agente. “Quando vir policial, atiro nele. Se acertar, são outros 15 anos de prisão”, continuou. Para Katya, era a única opção.

“Não há nada a fazer! Entregar-se não faz sentido”, afirmou a jovem. Denis considerava que, caso se rendessem, seriam mortos ou transferidos “para diferentes cidades e escolas”. Durante a transmissão, também fizeram postagens enigmáticas nas redes sociais.

Os dois postaram a mesma mensagem em suas respectivas páginas do VKontakte: “Eu amei vocês, mas vocês não perceberam como destruíram a minha cabeça e a minha vida. Adeus a todos – amigos, família e conhecidos. Não se preocupem. Partirei de um jeito lindo.”.

A mensagem seria destinada aos pais de Denis e de Katya. Concluindo, desejaram “boa sorte a todos em suas vidas”, que não tivessem medo de viver a vida como quisessem e declararam: “Uma vida de prazer é a melhor vida. Amo vocês”.

Ademais, responderam as perguntas da audiência, composta em boa parte por colegas de classe, fizeram miojo, atiraram uma TV pela janela e beberam uísque enquanto fumavam cigarros. Em razão da persistência dos jovens, as forças especiais foram chamadas.

A Unidade Especial de Resposta Rápida (SOBR), juntamente com a mãe de Denis, o convenceram a se desfazer das armas em sua posse. Assim, ele jogou a pistola e uma espingarda pela janela – mantendo, no entanto, uma das armas consigo, sem que a polícia soubesse.

Lhes foi dado 40 minutos para que tomarem uma decisão. Então, eles começaram uma nova live – a quarta do dia, na qual responderam mais algumas perguntas. Em meio a lágrimas, Katya se despediu. “Obrigado a todos pelo apoio. Pelo tempo que passamos juntos. Foi realmente incrível”.

Por fim, disse que sentiria falta de todos e que os amava. “Adeus”, concluiu antes de encerrar a transmissão. Quando o prazo encerrou, a polícia invadiu a casa. Lá, encontraram o casal morto, um ao lado do outro, com ferimentos de bala na região do queixo.

Durante as lives, Katya mencionou que tinha muito medo para se suicidar. Então, conforme denotou a perícia, Denis foi quem atirou na moça, provavelmente a pedido dela. Então, ele se ajoelhou e disparou a arma contra si mesmo ao lado do corpo da namorada.

O resultado foi atribuído, em parte, à falha na negociação desempenhada. Criticou-se o fato de que um psicólogo especializado não foi chamado para a operação. Além disso, embora tenham conversado por telefones, as redes sociais não foram aproveitadas para falar com os dois.

Os envolvidos justificaram que não havia nenhum psicólogo com expertise de negociador disponível na área, e que, mesmo que ocorrendo em meio a tiros disparados contra a van (vazia) da polícia, o casal estava se comunicando com a mãe de Denis.

Além disso, explicaram que só invadiram a casa após não receberem mais respostas do casal, que deixou de atender as ligações e não mostraram reação às granadas de choque lançadas na casa. Aliados às postagens de despedida, os responsáveis já imaginavam o que teria ocorrido.

Contudo, Aleksey Filatov, tenente-coronel da unidade anti-terrorismo FSB, não se convenceu. Para ele, se houvessem operado com um negociador que deixasse claro suas intenções, sem mostrar armas e que estava disposto a realmente conversar, o resultado seria outro.

“A impressão era de que nem sabiam que a menina não estava sendo mantida refém”, completou. Em seu último post, Katya deixou bem claro que estava com Denis por vontade própria. A psicóloga Lena Feigin, que analisou o caso, atribuiu parte da culpa aos pais do casal.

Nas mensagens trocadas com os pais e na conversa ao vivo, os pais de cada um continuamente questionaram como iriam “pagar com isso e sair dessa situação?”, em vez de explicar quais seriam as consequências do evento e como poderiam amenizar os resultados de seus atos.

Uma ópera – “Denis e Katya” – foi produzida sobre o caso. A história, descrita pelo jornal “The Guardian” como um misto de “Bonnie e Clyde” com “Romeu e Julieta”, é retratada sob a perspectiva de testemunhas – tanto reais como fictícias – na tentativa de compreender a tragédia.

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