Novo McDonald’s russo abre as portas hoje. Veja o que muda após saída da rede americana

Operação no país foi vendida para megaempresário russo após invasão da Ucrânia. Rede precisou criar novo logo e não deve contar com Big Mac no cardápio

Abre as portas neste domingo, feriado nacional pelo Dia da Rússia, a nova rede de fast food russa criada para substituir o McDonald’s — que encerrou as atividades no país em maio depois de três décadas, por conta da guerra na Ucrânia.

A nova rede de lanchonetes, que teve seu novo logo revelado na última sexta-feira, passa por algumas mudanças para se adaptar à nova realidade do país.A imagem tem figuras que representam um hambúrguer e duas batatas fritas, mas o nome da nova rede continua sendo um segredo bem guardado.

Pelo menos 840 dos 850 restaurantes da rede na Rússia foram vendidos para Alexander Govor, megaempresário russo que já operava 25 restaurantes do McDonald’s na região da Sibéria e ex-proprietário de uma mineradora naquele país.

Para dar sequência à operação, Govor precisou criar uma nova marca para substituir os famosos “arcos dourados”, ícone do estilo de vida americano e do capitalismo que sumiu das paisagens de Moscou e São Petersburgo.

Loja emblemática reabre

Neste domingo – comemorado o Dia da Rússia, feriado patriótico que celebra a independência do país – serão reabertas 15 lojas da rede. A lista inclui o McDonald’s localizado na Praça Pushkin de Moscou, fechado por conta da guerra. O espaço é emblemático, já que marcou a chegada da rede de fast food no país onde, em janeiro de 1990. Milhares de soviéticos fizeram fila para provar o sabor do Ocidente.

A presença da rede na Rússia ganhou um significado muito além de um estabelecimento para refeição. Dada a reputação sombria dos restaurantes da era soviética, o fato de os consumidores russos poderem obter um Big Mac e batatas fritas indistinguíveis de um mesmo pedido em Nebraska, nos EUA, foi visto como um pequeno milagre pós décadas de Guerra Fria.

A cadeia de fast food foi também creditada por desencadear uma revolução na indústria de serviços da Rússia, à medida que o capitalismo se instalou na antiga superpotência comunista.

Outra novidade é que as batatas-fritas terão um nome russo, de acordo com um menu vazado por um tablóide local. Mas como o molho secreto é proprietário, não haverá Big Mac em oferta.

Problemas de fornecimento? Talvez não agora

As sanções impostas pelo Ocidente à Rússia podem sufocar parte da economia russa. Algumas atividades podem, por exemplo, ficar aquém dos padrões ocidentais.

O primeiro carro sedã russo do modelo Lada Granta, coproduzido pela Renault antes da montadora francesa vender sua operação no país, saiu de uma linha de montagem em uma fábrica sem conter air bags, controles modernos de poluição e até freios anti-trava.

Em outro exemplo, uma grande empresa de sucos no país alertou os clientes que suas caixas logo seriam todas brancas por causa da escassez de tinta importada.

Mas quando se trata de comida, pelo menos, a Rússia está mais preparada. Quando o McDonald’s abriu na União Soviética em 1990, os americanos tiveram que trazer tudo.

As batatas soviéticas eram pequenas demais para fazer batatas fritas, então eles tiveram que adquirir suas próprias sementes de batata avermelhada. As maçãs soviéticas não funcionaram para a torta, então a empresa as importou da Bulgária.

Neste ano, quando o McDonald’s desistiu encerrar suas operações, as lojas russas administradas por Alexander Govor estavam recebendo quase todos os ingredientes de fornecedores russos. Como quase todos os ingredientes vieram de dentro do país, disse ele, os restaurantes poderiam continuar servindo a mesma comida.

Mas não seria realista esperar ofertas de baixo custo do McDonald’s na Rússia dentro de alguns anos porque as empresas locais não têm experiência e conhecimento técnico, disse Mikhail Goncharov, fundador da rede de fast food rival Teremok, em uma entrevista em 18 de março ao site de notícias Bell.

Embora haja alternativas de fast food na Rússia, “é uma questão saber se haverá um lugar para comer pelos mesmos preços”, disse ele.

Marcelo Pinheiro
Marcelo Pinheiro
Escritor; entretenimento, moda, tecnologia e crítica. Redator e fundador da Revista Chaprié

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