Homenagem de Virginie Moreira ao cabelo dos anos 60 é uma celebração sem remorso da negritude

Virginie Moreira cria penteados que celebram a cultura negra, como os da  capa da Vogue britânica de fevereiro. “O moodboard era enorme”, explica o cabeleireiro responsável pelos bufantes e perucas inspiradas nos anos 60 meticulosamente penteadas. “Diana Ross em The Supremes e o cabelo majestoso espalhado por toda aquela época na cultura negra foi importante para mim transmitir.”

Nas filmagens, foi importante para Moreira “agarrar a energia de cada modelo”, das superestrelas da passarela Adut Akech e Anok Yai à recém-chegada Nyagua Ruea. Isso, por sua vez, permitiu que a cabeleireira prestasse homenagem àqueles que admirava enquanto crescia. “Foi sobre [enfatizar] aquele momento mágico quando você está vendo sua mãe se arrumar”, ela compartilha da memória que será familiar para muitas mulheres negras. “Ela está colocando aquele batom vermelho, delineador de lábios e perfume está sendo borrifado no ar. Você está vendo ela se transformar.”

A londrina do sul, que co-fundou o salão de Brixton Zazzah com o colega cabeleireiro e querido amigo Isaac Poleon , comprou seus suprimentos para a sessão de fotos em suas lojas de cabeleireiro do bairro. “Meus assistentes e eu passamos um dia ou dois levando uma pinça de barril para cada peruca”, diz a mulher que já trabalhou com Erykah Badu e FKA twigs. Uma vez que a base foi estabelecida, Moreira usou  o spray texturizador Oribe  e estilizou uma variedade de cachos no cabelo. “Foi bom refinar tudo e trazê-lo de volta ao básico”, acrescenta ela.

No dia, ela usou o spray got2b da Schwarzkopf para segurar suas interpretações dos penteados retrô. “[A filmagem] parecia que eu estava trazendo todas as ideias que coletei ao longo do tempo”, ela compartilha. Citando ícones como Mary J Blige e Lil’ Kim, é fácil ver por que a cabeleireira gosta de reimaginar penteados nostálgicos para os tempos contemporâneos. “Trata-se de entender que modificar o afro é arte – é simplesmente especial”, explica Moreira. “É importante ver modelos negras como Adut em uma capa.” 

Este texto foi publicado originalmente na Vogue britânica, edição de fevereiro.*

Marcelo Pinheiro
Marcelo Pinheiro
Escritor; entretenimento, moda, tecnologia e crítica. Redator e fundador da Revista Chaprié

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