DE DENTRO PRA FORA

Como a presença de lingeries nas passarelas internacionais fortalece um mercado que vem quebrando padrões de gênero e de corpo.

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Beauty @antonioocampagna styling @gab_bueno Modelo @monicaschreiber

Por Giuliana Mesquita

Daqui a uns dez ou 20 anos, quando pensarmos sobre 2020 e 2021, com certeza vamos lembrar da vida por dentro. No caso, dentro das nossas casas e de nós mesmos. A pandemia trancou muita gente nos próprios lares e nas próprias cabeças. Cortou relações, cancelou o convívio social, fez do toque um risco. Mudou por completo a maneira de ver o mundo, nos relacionar e nos enxergar.

Do mesmo jeito que demos preferências a peças confortáveis, material ou metaforicamente, também passamos a repensar as roupas em contato direto com a nossa pele. Sem sair de casa ou ver ninguém, muitas vezes passamos horas e dias apenas com elas. Além disso, os meses de isolamento nos colocaram cara a cara com o espelho e provocaram várias outras maneiras de entender e explorar a autoimagem – seja com muita, pouca ou nenhuma roupa.

Não é difícil, então, entender como o mercado de underwear ganhou força na última temporada. Lingeries na passarela não são uma novidade, nós sabemos. Há décadas a moda explora o universo do boudoir. Começou como forma de subversão, liberação sexual e reflexo de novos comportamentos sociais. Hoje é bastante comum e nada chocante. Contudo, uma série de fatores – a vontade de mostrar o que está por dentro, o retorno de um desejo aflorado por se sentir sexy e até o sexo mais escasso – deu uma guinada extra para que muita marca de luxo colocasse lingeries bem evidentes em seus desfiles.

Em um dos exemplos mais interessantes dos últimos tempos, temos a estilista Nensi Dojaka. Sua marca homônima, lançada em 2017, enquanto ela ainda estudava na London College of Fashion, desenvolve peças baseadas em lingeries e suas estruturas internas. Em 2019, após concluir uma pós-graduação na Central Saint Martins, Dojaka estreou na semana de moda de Londres. A coleção foi um estouro, cheia de transparências, detalhes e assimetrias que lembram roupas de baixo e exalam sensualidade, com referências a Helmut Lang e Ann Demeulemeester e um bem-vindo toque de força e feminilidade. A estilista criou ali uma imagem única e em perfeita sintonia com os desejos (íntimos e nem tanto) do momento.

Nas coleções de inverno 2021, corsets, bustiês, cintas-liga, hot pants e bodies apareceram em looks sofisticados, combinados a casacos, calças de cintura alta, doudounes, saias lápis e peças de alfaiataria. A obsessão por se sentir bem entre quatro paredes ganhou vida própria e saiu (ou vai sair) pela porta de casa.

A Miu Miu, por exemplo, pegou a tendência e a levou para o extremo: a neve. Em seu último desfile, gravado nas montanhas de Cortina d’Ampezzo, na região do Vêneto, Itália, Miuccia Prada combina sutiãs de crochê e camisolas com roupas de inverno, em uma mistura no estilo “coloquei uma peça em cima da outra para sair de casa correndo e ir ao mercado”.

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