Crítica | A mulher do viajante no tempo – HBO

Quando se conhecem, Henry tem 28 anos e Clare, vinte. Ele é um moderno bibliotecário; ela, uma linda estudante de arte. Os dois se apaixonam, se casam e passam a perseguir os objetivos comuns à maioria dos casais: filhos, bons amigos, um trabalho gratificante. Mas o seu casamento nunca poderá ser normal.

Henry sofre de um distúrbio genético raro e de tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás, e ele então é capaz de viajar no tempo, levado a momentos emocionalmente importantes de sua vida, no passado ou no futuro.

Os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. A cada viagem, ele tem uma idade diferente e precisa se readaptar mais uma vez à própria vida. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação.

Em A Mulher do Viajante no Tempo, a autora mostra com muita sensibilidade, inteligência e bom humor que o verdadeiro amor é capaz de transpor todas as barreiras – inclusive a mais implacável de todas: o tempo.

A HBO Max está lançando uma adaptação para série com episódios semanais, assista o trailer abaixo:

Na mais nova aposta da HBO, o famoso romance de ficção científica ‘A Mulher do Viajante no Tempo’, de Audrey Niffenegger, ganha mais uma adaptação audiovisual e traz Rose Leslie e Theo James em uma aventura interessante que analisa a efemeridade do tempo – ou ao menos tenta fazer isso. Por trás da releitura, ninguém menos que Steven Moffat, a genial mente por trás da adorada série ‘Doctor Who’ e um dos criadores mais originais da televisão contemporânea, motivo pelo qual não podíamos deixar de ficar muito animados para essa investida diferente do que Moffat já havia nos apresentado. Entretanto, ao contrário do que imaginávamos, o resultado rema contra a maré das nossas expectativas e mergulha em um melodrama cansativo e uma ousadia que não sabe para onde quer seguir.

A premissa puxa elementos bastante conhecidos do gênero sci-fi e coloca uma reviravolta que tangencia o existencialismo e a crise identitária, seguindo os passos do livro original. James interpreta Henry DeTamble, um jovem que possuí uma anomalia genética inexplicável que o permite viajar no tempo. Porém, essa anomalia não é nem de perto um dom a ser invejado, visto que ele não tem controle de quando irá ao passado ou ao futuro e nem aonde chegará; a única verdade é que, nesse processo, ele perde as roupas e revisita ou descobre momentos de uma vida marcada por turbulências, traumas e amor – e tudo convergindo para Clare Abshire (Leslie), sua prenunciada esposa que lhe é “prometida” desde a primeira vez que se veem (Henry beirando os quarenta anos e Clare com apenas seis).

Ao longo de uma jornada interminável, Henry guia a si mesmo para criar certas regras que deve cumprir e como garantir que as coisas não saiam de controle, enquanto Clare se envolve cada vez mais com o misterioso homem que apareceu no gramado da casa da família e se tornou um grande amigo. Conforme os episódios se seguem, nota-se uma enorme preocupação de Moffat em garantir que a essência dos protagonistas permaneça, expandindo a profundidade de personalidades tão distintas e garantindo que a estética visual seja unificada em prol de um enlace emocional complexo e que nos mantém vidrados do começo ao fim. O problema, todavia, se alastra para os outros aspectos da obra – desde a estrutura técnica à falta de explanações sólidas e um pedantismo melancólico que vai de lugar nenhum a nenhum lugar.

James e Leslie fazem um trabalho admirável e desfrutam de uma química genuína nas telinhas, ainda que não convençam quando interpretam versões mais jovens de seus respectivos personagens. De qualquer maneira, as marcas de maturidade são claras o suficiente para unirmos os pontos e compreendermos o significado da utópica frase “amor verdadeiro”, que atravessa a imaterialidade do tempo e vence quaisquer obstáculos. Afinal, o grande objetivo da produção é, por mais contraditório que pareça, não se basear na incredulidade, e sim numa experiência que seja compreensível ao público e que nos traga alguma mensagem “libertadora”, assim dizendo.

O primeiro episódio conta com uma história um tanto arrastada, algo que não prende muito o telespectador, o que modifica um pouco no segundo episódio lançado.

Neste segundo episódio conhecemos de forma mais profunda a história de Henry, o que se torna algo extremamente emocionante (Literalmente), além de contar com umas cenas da qual houve muita repercussão na internet de forma polêmica, apesar de durar poucos segundos.

Aparentemente a série não se mostra muito promissora logo de início, não permitindo a criação de muita expectativa em relação a trama, mas vale acompanhar, afinal, os lançamentos da HBO são bastante surpreendentes e com uma excelente qualidade.

Marcelo Pinheiro
Marcelo Pinheiro
Escritor; entretenimento, moda, tecnologia e crítica. Redator e fundador da Revista Chaprié

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