Como ‘A Paixão de Cristo’ se tornou um dos mais polêmicos filmes de Hollywood

Com direção de Mel Gibson, a obra arrecadou mais de US$ 600 milhões, mas foi contestada por críticos

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Com direção de Mel Gibson, a obra arrecadou mais de US$ 600 milhões, mas foi contestada por críticos

Em 2004, um famoso astro das telonas ia para trás das câmeras para marcar uma das maiores obras da história do cinema moderno.

Mel Gibson saía do posto de ator para dirigir ‘A Paixão de Cristo’, um filme inteiramente rodado em idiomas antigos, sendo eles em latim italiano e semita aramaico, vendido para cinemas do mundo inteiro apenas em sua versão legendada e, ainda assim, se tornando uma das maiores bilheterias do início do século 21.

Orçado em US$ 30 milhões pela Newmarket Films, a obra lucrou mais de US$ 611 milhões ao retratar os últimos momentos de Jesus na Terra e sua ressurreição, três dias depois, em uma grande produção rodada na Itália.

Contudo, ao pautar um tema religioso de tamanha importância cristã e em grande produção, com riqueza de detalhes, as contestações sobre a obra marcaram o filme em polêmica.

A primeira delas, divulgada ainda na produção, é que as obras não iriam as salas de cinemas com dublagem nas línguas dos países que seriam distribuídos, contando apenas com legendas em tempo real, de maneira a respeitar a narrativa cristã.

Por cláusula estipulada pelo próprio diretor, os primeiros anos de exibição deveriam ser feitos dessa forma, posteriormente permitindo a sobreposição de voz. Contudo, diversas outras contestações da classe religiosa mobilizaram a obra.

Posição dura

A obra não se restringe as narrativas canônicas do Evangelho da Paixão de Cristo, mas também nas passagens de Lucas e até do Novo Testamento. Uma das falas de Jesus no filme é encontrada no livro do Apocalipse e, até mesmo na abertura, o protagonista esmaga uma serpente, em referência a Gênesis 3:15.

Contudo, ao replicar os abusos sofridos por Jesus em seus momentos finais, uma grande movimentação de comunidades não-cristãs apontaram  uma narrativa antissemita, que aponta os judeus como os principais rivais da trajetória de Jesus.

Uma das criticas, partindo do jornal norte-americano New York Daily News, descreveu a obra como “o filme anti-semita mais virulentamente feito desde os filmes alemães de propaganda da Segunda Guerra Mundial”.

Marcelo Pinheiro
Marcelo Pinheiro
Escritor; entretenimento, moda, tecnologia e crítica. Redator e fundador da Revista Chaprié

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