A cura da Alma ferida – Por Mathews Avlis

fotografia tem mudado a forma como o mundo se vê, desde 1826, quando Joseph Nicéphore Niépce fez o primeiro registro. Mas atualmente o propósito dessa arte incrível mudou e vou explicar para vocês! – Por @mathewsavlis

Quando pensamos em fotografia de uma perspectiva mais conservadora, imaginamos o registro do dia-a-dia ou de eventos em família, de lembranças que causam bons sentimentos e inclusive a tal da nostalgia e da forte vontade de reviver aquele momento inúmeras vezes.

De fato existe esse podermas a magia que essa arte carrega vai além disso…

Vivemos em um século onde a doença da depressão e o excesso de fragilidade emocional tem tomado conta de muitas pessoas, impossibilitando novas vivências e, em algumas situações, travando a vida quase que completamente.

Estamos tão acostumados a esconder nossos sentimentos e desejos por conta dos julgamentos sociais que acabamos cedendo ao veneno de guardar pra si tudo aquilo que deveríamos externar sem medo…

Mas essa repressão emocional não é novidade, visto que uma pessoa emotiva e não robótica não serve para viver de um estilo tradicional de vida, com empregos e hobbies que outras pessoas escolheram pra ela.

esgotamento físico que sentimos ao reprimir nossos sentimentos não apenas nos causa dor, mas nos faz ter o hábito de ignorar nossas emoções sempre que elas quiserem sair, até que não haja mais a compreensão plena de nossas dores e assim vivamos cansados e frustrados por não entender porque que as coisas não melhoram em nossas vidas.

fotografia artística tem como objetivo trazer à tona todo aquele sentimento reprimido de anos de vivência forçada para fora, onde o grito de raiva, medo, angústia e frustração não deveria estar guardado.

Quando isso acontece e a percepção de quem está sendo fotografada passa por um êxtase de colocar o grito para fora, aí se inicia a fase de mutação, aceitação e euforia… e enfim o grito que antes era de dor, agora se torna de alívio.

A visão é nosso sentido mais utilizado no dia-a-dia e, por esse motivo, ela afeta e muito as nossas escolhas, como por exemplo que roupa “cai bem”, como andar, que cores usar e por aí vai…

Quando quebramos as correntes que nos fazem viver ao agrado dos outros, conseguimos de fato escolher o que nos faz feliz, nos pequenos detalhes… e isso é o recomeço de uma história de amor próprio que jamais deveria ter deixado de existir!

Por Mathews Avlis:

A fotografia pra mim é algo que vai muito além da imagem, porque nos entrega experiências novas, sentimentos ocultos e sensações que nunca havíamos sentido antes.

Pequenos detalhes, quase imperceptíveis, são pensados pra que a pessoa frente a obra sofra uma mutação a partir de questionamentos que raramente acontecem no nosso dia-a-dia e essa “magia” de conseguir entregar uma pergunta visual para o espectador com o objetivo de fazer ele mergulhar, não na obra, mas na própria mente, é o que faz com que minha arte valha a pena.

Muitas vezes, me pego conversando internamente sobre os porquês da vida e utilizo esses questionamentos pra levantar inúmeras conversas com pessoas que conheço ou não, pra entender um pouco mais sobre sentimentos e pensamentos, histórias e heranças.

Costumo trazer minhas viagens para dentro das minhas obras, com a missão de fazer com que meus questionamentos desbloqueiem os gatilhos que fazem as pessoas não entenderem sua própria personalidade.

Fotografia é sobre intensidade, mas também é sobre intenção…

Acredito que uma fotografia abordada da forma correta tem um resultado tão magnífico que cura traumas, te ensina a abandonar velhos e maus hábitos, enfrentar medos, se aceitar além da estética e definir novos valores.

Levo essa arte em minha vida como algo quase que espiritual, como um xamã levaria sua medicina da floresta para seu povo.

Hoje em dia as pessoas são muito visuais e mais do que nunca eu vejo a necessidade de usar essa “estética” para causar o impacto necessário e com isso inserir aquela pequena semente que irá aflorar pouco a pouco, até que não seja mais controlável a tal curiosidade e enfim a explosão psicológica e emocional venha à tona para uma compreensão parcial ou quem sabe até total sobre si.

Um ano depois de eu ter me tornado fotógrafo, comecei a trabalhar com fotografias sensuais, mais voltadas para o nu artístico, pelo fato de eu entender que roupas são atalhos para julgamentos que nós utilizamos para os outros e para nós mesmos, e quando estamos despidos, só há uma coisa a ser fotografada: a essência na íntegra.

Muitas vezes quando eu ia fotografar uma modelo nesse segmento do nu, semanas ou meses antes da criação, dava uma pequena tarefa pra ela executar … e aparentemente era bem simples: parar na frente de um espelho todos os dias por 30 segundos ou até um minuto, se olhando nos olhos fixamente. Muitas pessoas achavam isso idiotice no começo, mas me agradeciam e inclusive choravam depois do resultado, porque percebiam que ao fazer isso estavam se conhecendo de uma forma que poderia não acontecer de outra maneira, pelo véu invisível que foi colocado há muito tempo e que cegava a elas quanto aos seus sentimentos, medos e desejos.

Pra contar um pouco sobre a minha história eu tenho que começar pela dor que me fez tornar fotógrafo: a dor de ter os sentimentos ignorados ou reprimidos por estranheza alheia.

Desde pequeno me senti uma pessoa que não se encaixava completamente em nenhum grupo social e por ser muito questionador tentava insistentemente entender o que acontecia, mas sem sucesso.

Procurei diversas áreas da vida, porque tinha dúvidas se o que eu era de fato não se encaixava no mundo da forma certa ou se no fundo eu estava certo sobre o que eu sentia e buscava e o erro estava na compreensão das pessoas, algo fora do meu controle.

Trabalhei com inúmeras coisas, de venda de perfume porta-a-porta até tester de programação de uma grande empresa.

Meu nível de deslocamento era tanto que tentei ser atleta e outras coisas mais, simplesmente para agradar um mundo que de nenhuma maneira me agradava.

Sempre corri muito para conquistar minhas metas, porque minha família não tinha condições de me dar tudo o que eu desejava e por eu saber que os lugares em que eu me encontrava criavam uma bolha de conformidade social e econômica que parecia não ter fim, fazendo com que praticamente todos que eu conhecia na vida nem ao menos tentassem sair do lugar e culpassem qualquer detalhe que fosse, só para não ter que assumir as responsabilidades de ser quem gostaria pelo medo do fracasso.

Minha vida nunca foi fácil, mas no fundo era exatamente disso que eu gostava, pois me sentia incrível ao superar uma dificuldade que para todos seria impossível.

Saí de Porto Alegre diversas vezes para tentar a vida em SC e na grande maioria fracassei, passando inclusive fome em algumas situações.

Quando finalmente me descobri dentro da fotografia artística e consegui ganhar expressão e externar meus mais diversos pensamentos, resolvi que usaria isso para melhorar a vida das pessoas, fazendo com que através da experiência imersiva que eu propunha e também dos meus questionamentos, as pessoas frente às minhas lentes conseguissem sair do casulo para que pudessem se sentir novamente e respirar o ar puro da liberdade emocional.

Eu vejo o que o ser humano fez com o mundo e me entristeço, porque as coisas, por se tornarem fáceis, também se tornaram vagas e banais… por esse motivo quero ajudar as pessoas a resgatarem a essência que carregam consigo desde a infância, quando não havia falsos ensinamentos que tinham o propósito de limitar a capacidade emocional de cada um.

Acredito que minhas artes têm uma representação ambígua, já que costumo trabalhar um contexto psicológico, para que em cada emoção intensa que se encontre, veja minha arte de uma nova perspectiva.

Bom, eu sou Mathews Avlis, sou fotógrafo desde 2016, mas sou artista desde a minha infância, onde fui músico e também bailarino durante bastante tempo.

Quando vou criar uma obra, defino um conceito inicial, mas adapto ele ao sentimento e a história da modelo, para que a captação da arte seja autêntica e muito profunda.

Espero que ao verem minhas obras sintam algo profundo, como se estivessem mergulhando em um mundo novo, onde o que importa é a emoção e a compreensão de vocês e nada mais, pois assim eu já estarei dando um passo novo frente ao meu propósito de estimular o melhor lado de cada pessoa.

Confira o site de Mathews Avlis

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